TRAJETÓRIA DO JORNAL SEMANÁRIO
“Não é fácil fazer uma cidade entender que o jornal é um órgão cultural importante”. Com essa afirmação do atual diretor do Jornal Semanário, Henrique Alfredo Caprara, já percebesse a dificuldade de se fazer jornal no Brasil, especialmente em Bento Gonçalves, cidade de colonização italiana, situada na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. Atua numa cidade com mais de 90 mil habitantes, até abril de 2007, o periódico tinha apenas uma edição por semana, que circulava aos sábados. Desde então, conta com duas edições semanais, às quartas-feiras e sábados.
Em meio ao regime militar, em 27 de julho de 1967 tem sua fundação pelo jovem de apenas 16 anos, Jairo Caprara, então correspondente de um dos jornais de Porto Alegre dos padres franciscanos. Com oito páginas, no tamanho A4, era distribuído nos cinemas Popular, Aliança e Ipiranga. “Enquanto as pessoas aguardavam a sessão aproveitavam para ler o jornal. Era mais um jornal de lazer, com uma farta sessão de piadas, alguns colunistas e destaques do dia-a-dia da cidade”, conta Jairo. A impressão era feita na Gráfica Bento Gonçalves. A sede era na alfaiataria da família, na rua Saldanha Marinho, 297, centro.
Em 1969, com a ida de Jairo para prestar o serviço militar e, após o jornal ter deixado de circular por três meses, o irmão Henrique assumiu O Semanário. “Eu acreditava no projeto e também era uma questão de família”. Atualmente, o fundador é proprietário de outro jornal no município, o Eco do Vale, que tem circulação semanal.
A introdução da cor ocorreu em 2001 e fez com que o Jornal crescesse ainda mais, chegando a 6.830 assinantes e mais 1.170 jornais em pontos de venda, sendo o 11º maior jornal do Rio Grande do Sul. Nas pesquisas de preferência popular atinge índices da ordem de 80%.
Tendo surgido para preencher uma lacuna no “meio noticioso”, deixada pelo BG Notícias e a Gazeta da Serra, que pararam de circular, atualmente o Semanário disputa mercado com a Gazeta, que circula nas terças e sextas-feiras, Jornal Pioneiro, Jornal Eco do Vale e outros jornais que surgem e desaparecem com o passar dos tempos. Em meio à turbulência da área o Semanário continua firme em sua trajetória, contando com uma equipe de mais de 20 profissionais, incluindo a administração, além de seis colunistas.
A circulação, bem como o setor de assinaturas, desde o ano de 2000 foram terceirizados. Com os recursos financeiros dessa área o Jornal paga os custos de impressão e toda a equipe envolvida. Com a venda de anúncios mantém a folha de pagamento do pessoal diretamente ligado ao Jornal e faz investimentos. “Via de regra os jornais não conseguem equilibrar a receita e despesa de circulação e impressão. Nós conseguimos fazer isso, o que nos dá tranqüilidade para seguirmos firmes em busca de novos desafios”, destaca Henrique Caprara.
Conforme Caprara o foco, é a conclusão da sede própria, que está sendo edificada na Alameda Fenavinho, ao lado do Parque de Exposições da Fenavinho, em complexo com três andares. Atualmente o Semanário tem colocado todo o 5º andar da Galeria Central, no Centro. A sede própria se faz necessária para proporcionar melhores condições de trabalho e logística para a empresa. A nova sede, também dará uma identidade física para o Jornal, pois a sua localização é um ponto estratégico da cidade, ao lado da entrada dos Pavilhões da Fenavinho, local onde estão situadas entidades empresariais, são realizadas grandes feiras de porte regional, nacional e até internacional, além de ser muito utilizado pela população para a prática de esportes.
A sede própria, orçada em R$ 350 mil, está sendo adquirida com parte de recursos próprios e o restante a partir de um plano de assinaturas diferenciado. São três séries de 100 assinaturas de cinco anos, com valor de 1 mil cada uma e direito a concorrer a um automóvel zero km. A 1ª série já foi concluída e a 2ª está com 50% da meta cumprida. A intenção é completar o plano total até o primeiro semestre de 2003. Esse sistema foi “plagiado” do Grupo VS, detentor do Jornal NH de Novo Hamburgo, onde é impresso o Semanário. Na sede própria a intenção futura é também fazer a impressão do Jornal e implantar a circulação diária. Atualmente é destaque o Caderno S.
O Semanário está estruturado em seis colunas, é impresso em tablóide e tem dimensões iguais ao do Pioneiro e Zero Hora quanto ao tamanho de suas páginas (36cm x 26cm). A padronização foi para reduzir o custo com papel e a adequação de agências de publicidade, que exigiam tamanho padrão dos jornais para a veiculação de seus anúncios. Essa padronização, com a introdução de novos programas de computação, atualmente não faz diferença, tendo em vista que os anúncios podem ser ampliados ou reduzidos facilmente, não sendo mais necessária à confecção de fotolitos.
O Jornal Semanário é um jornal para toda a família, com assuntos nas mais diversas áreas. É um jornal de opinião, tomando partido em todas as situações, ao estilo dos jornais americanos. Não tem como objetivo principal polemizar assuntos do município, mas sim defender os interesses da comunidade como um todo. No Semanário as pessoas têm vez e voz, o que lhe dá muita credibilidade e força de ação.
Outro ponto de destaque é a eficiência na circulação, que engloba também o interior do Município e outras onze cidades vizinhas.
O Semanário é dirigido por Henrique Alfredo Caprara, tendo como editora a esposa Ana Inês Facchin. Já o Departamento Comercial está a cargo de Henrique Antônio Frâncio. Para essa trajetória de sucesso, houve muita luta, muitos desafios superados e até processo no regime militar, com ameaça de fechamento, mas esses desafios foram superados e novos desafios surgirão, mas o perfil da equipe do Jornal Semanário está forte e firme, para superá-los e alcançar outros patamares fazendo e escrevendo a história de Bento Gonçalves.