As antigas poltronas de madeira do Cine Marcopolo acomodam o público que aguarda atendimento no Conselho Tutelar, espectadores da velha televisão comprada com o dinheiro de uma vaquinha feita por conselheiros. Sentados, eles são platéia tratada com descaso: com falta de funcionário, o espaço da recepção está vazio e o telefone, muitas vezes, toca sem parar. Uma contradição à determinação da criança como prioridade absoluta na sociedade.
Sem a estrutura adequada, o presidente do Conselho Tutelar, Moacir Camerini, ingressou no Ministério Público com uma ação civil pública contra a prefeitura, responsável pela manutenção do serviço, conforme previsto em lei. "Não tenho medo nenhum de cobrar uma coisa que é de direito", afirma.
O espaço é grande, mas não funcional. Os problemas vão além da recepção, onde as poltronas estão "garantidas" com uma madeira pregada na base. Com apenas três computadores antigos, sem internet e capacidade para suportar programas de arquivamento de dados, as fichas dos atendimentos são feitas manualmente e guardadas em armários. "Tem que ter sorte para achar", afirma a vice-presidente Marlen Pelicioli, com uma ficha recém descoberta em mãos.
Sem internet: às vezes, um funcionário precisa deixar de lado o trabalho para que outro utilize o computador. "Estamos ainda na época da carta, e-mail aqui não tem", conta Camerini, que leva o notebook de casa para poder trabalhar melhor e está animado com a doação de monitores recebida da delegacia - recolhidos por se tratarem de máquinas de bingo.
O banco de dados do órgão é composto de caixinhas de madeira, onde as fichas amareladas são separadas pela letra inicial. "Às vezes, perde-se meia hora procurando", afirma o presidente Camerini. Na recepção, as entradas são registradas em um livro de ata.
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