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Exportação nacional cresce 33,6% em 2011

Vinhos de Bento e região se destacaram entre os mais exportados - Foto: Daniel Isaia/Jornal Semanário
Vinhos de Bento e região se destacaram entre os mais exportados - Foto: Daniel Isaia/Jornal Semanário
Publicada em 22/02/2012.

O vinho produzido no Brasil aumentou sua participação no mercado internacional no ano passado. O produto engarrafado foi vendido para 31 países em 2011 – quatro a mais do que no ano anterior, quando exportou para 27 países. O projeto Wines of Brasil, realizado em parceria entre o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e a Agência Brasileira de Promoções de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), registrou um total de US$ 3,06 milhões em exportações das vinícolas que a integram. Esse valor é 33,6% superior ao atingido em 2010, quando as vendas ao exterior somaram US$ 2,29 milhões.

A entrada da China entre os países compradores de vinho brasileiro foi a grande novidade de 2011. O país asiático havia comprado apenas US$ 4 mil do produto no ano anterior. No último período, os chineses compraram US$ 390,3 mil em rótulos de cinco empresas: Casas Valduga, Cooperativa Vinícola Garibaldi, Miolo, Pizzato e Salton. Para a gerente comercial do Wines of Brasil, Andreia Gentilini Milan, antes não se vendia vinho para a China porque não havia investimento nesse mercado. “Participamos das primeiras feiras e eventos na China o ano passado e já estamos colhendo resultados positivos”, explicou.

A Holanda foi o principal destino do vinho brasileiro em 2011, ultrapassando o Reino Unido. Os holandeses importaram um total de US$ 410,5 mil do produto, um valor 63% maior do que os US$ 250,4 mil gastos no ano anterior. Com isso, o país ficou com 13,4% das exportações das vinícolas associadas ao Wines of Brasil.

“Nosso planejamento estratégico tem como objetivo posicionar o vinho brasileiro entre os melhores do mundo”, afirmou Andreia. Ela destacou que o preço médio por litro exportado mais que dobrou de 2010 para 2011, pulando de US$ 2,15 para US$ 4,34.

A Wines of Brasil tem o objetivo de promover o vinho fino engarrafado no mercado internacional. Das 35 vinícolas associadas ao projeto, 20 são exportadoras.

Mercado interno sofre com importação de vinho

“No plano interno, a dificuldade dos produtores brasileiros em ganhar mercado no setor é a forte competitividade dos vinhos importados”, destaca Júlio Fante, membro da diretoria da Associação Gaúcha de Vinicultores e ex-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

Na visão do empresário, a vitivinicultura nacional é prejudicada pelo que ele chama de “práticas comerciais abusivas” por parte dos vinhos estrangeiros, que conquistam cada vez mais o consumidor brasileiro: as importações de vinho no Brasil cresceram 3% em 2011, um ano após registrarem alta atípica de 27%, segundo dados do Ibravin. Desde 2004, a entrada de importados no país praticamente dobrou, com alta de 98,7%.

A presidente Dilma Rousseff, em visita à tradicional Festa da Uva de Caxias do Sul, na quinta-feira, 17, prometeu defender o vinho brasileiro e anunciou o uso de salvaguardas – medidas temporárias previstas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) – para proteger um determinado setor econômico do aumento das importações.

O consumidor brasileiro ainda procura muito vinho importado, mas vem despertando interesse pelo produto nacional. De acordo com um levantamento do Ibravin, a comercialização de vinhos elaborados no Rio Grande do Sul – estado responsável por cerca de 90% da produção brasileira – registrou crescimento de 7% em 2011 no país.

Da Redação: Daniel Isaia
economia@jornalsemanario.com.br

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