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Empresários contestam Plano Máster

Remodelação foi debatida em audiência pública no dia 31 de janeiro - Foto: Reprodução
Remodelação foi debatida em audiência pública no dia 31 de janeiro - Foto: Reprodução
Publicada em 22/02/2012.

Embora ainda esteja em estudos, a proposta do Plano Máster do parque de eventos de Bento Gonçalves suscita contestações. Não que a idéia de estabelecer um projeto de expansão do parque e de definições de sua utilização não agrade a todos. Mas o que provoca polêmica é exatamente este quesito na proposta apresentada pela M. Stortti Business Consulting Group em audiência pública no dia 31 de janeiro. Mais especificamente, o projeto para a construção de um hotel e, principalmente, de um Shopping Center no local.

A polêmica ganha expressão maior porque, de acordo com a Fundaparque, um termo de referência que balizará a futura licitação deverá ser concluído até o final de março. A premência de uma definição faz com que diversos empresários assumam posições em relação ao projeto. Mesmo assegurando que cabe “aos maiores interessados” (as entidades promotoras das principais feiras realizadas no parque) opinar, o diretor presidente de uma tradicional metalúrgica da cidade, Ayrton Giovanini, afirmou que qualquer coisa que venha a ser feito no parque não pode resultar em “mínima chance de dificultar ou impossibilitar a realização destes eventos”. “Nada a ser feito no parque poderá atrapalhar os eventos”, sentencia, enumerando dificuldades já existentes na realização das maiores feiras de Bento.

Para Giovanini, já são evidentes atualmente dificuldades de locomoção, transporte, estacionamento e alimentação, entre outros problemas inerentes aos eventos. O empresário acredita que “um plano para o parque deve levar em consideração principal a manutenção e ampliação das feiras e talvez incluir gastronomia”. “E isto pode e deve ser feito possibilitando também a utilização do mesmo para lazer, esporte e recreação da população”, resume.

Prejuízos ao comércio

Baseado neste entendimento, o empresário avalia que a instalação de um shopping trará prejuízos ao comércio local, e que a construção de um hotel e a transferência da prefeitura não trarão benefício algum ao objetivo primordial do parque e aos eventos. Giovanini afirma que a localização de shoppings, hoteis e prefeitura “podem e devem” ser feitos em outros pontos, separando o fluxo e não concentrando-os num único local.

Depoimentos

Moysés Michelon, presidente da 1ª Fenavinho

Bento Gonçalves, historicamente, tem cometido muitos acertos, mas também grandes equívocos. Nesse caso, acho que nós estamos cometendo mais um grande erro. O espaço que temos é necessário, e até insuficiente, para ampliação do parque de exposições. O que precisamos lá, com certeza, é um centro de eventos, mas não justifica ter um hotel. E shopping também não vai ter público. Tenho uma posição clara, já manifestada na audiência pública: estamos afunilando Bento Gonçalves ali.

Ayrton Luiz Giovannini, empresário

Nada que seja feito no parque pode dificultar ou impossibilitar a realização de eventos, em que já é notória a dificuldade de locomoção, transporte, estacionamento e alimentação, entre outros problemas inerentes às feiras e que, de certo modo, acontecem em maior ou menor grau em cidades como São Paulo, Frankfurt, Dusseldorf e Dallas. Nada a ser feito no parque poderá, portanto, atrapalhar. Com isto, torna-se claro que a instalação de shopping, com prejuízos ao comércio local, hotel e prefeitura não trará benefício algum ao objetivo primordial do parque e aos eventos.

Juarez José Piva, presidente da Fimma

O que ainda não conseguimos entender é como tudo isso vai ser feito. Nada foi transmitido para as entidades que são responsáveis pelas feiras que ocorrem no parque. Minha preocupação é saber como vão acumular tantos serviços em único local. Falta clareza, não podemos pensar apenas na questão financeira, também temos que levar em conta a mobilidade e o retorno que o parque terá”.

Acúmulo de serviços preocupa

Mesmo após a audiência pública que debateu as mudanças propostas pelo Plano Máster para o parque de eventos – e que talvez pudesse mudar a opinião que desconheciam o conteúdo da proposta –, o clima entre muitas lideranças empresariais do município é de desconfiança e temor quanto ao projeto. Uma das principais reclamações é direcionada ao acúmulo de serviços no local, situação que pode gerar transtornos às feiras, já que a iniciativa prevê a instalação de um shopping, um hotel, uma torre comercial e o Centro Administrativo Municipal.
Presidente da Feira Internacional de Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira (Fimma Brasil), Juarez José Piva afirma que o Plano Máster ainda é uma incógnita para os organizadores dos maiores eventos que Bento sedia. As dúvidas giram em torno, principalmente, das intervenções a serem feitas nos pavilhões – na área já construída, há previsão de revitalização, mas não de ampliação dos espaços.

Nem mesmo o valor anual de outorga previsto para ser pago à Fundaparque – administradora do Parque de Eventos –, calculado em R$ 656 mil, seria uma garantia de manutenção dos pavilhões. “Na Fimma, por exemplo, por um mês de aluguel, pagamos mais de R$ 400 mil. Além disso, somente em 2011, o setor industrial da Fimma investiu mais de R$ 1 milhão no parque”, aponta.

Piva acredita que uma possível sobrecarga de atividades no Parque de Eventos poderia trazer prejuízo às feiras, o que geraria, por sua vez, uma cadeia de perdas para a economia bento-gonçalvense. “Se Bento perder eventos, todos que estiverem juntos no parque também vão perder. Somos um case para o mundo, de voluntários que fazem esses eventos e não podemos deixar isso morrer”, conclui.

“Ponto de equilíbrio”

O empresário Moysés Michelon destaca que a situação atual do parque já é crítica para a realização das feiras. “Elas já não têm espaço suficiente. Temos também problemas seríssimos de estacionamento. E ainda queremos colocar dentro de um lugar algo que não cabe”, afirma.

Michelon também é taxativo ao discordar sobre a construção de um novo hotel. “Não tem viabilidade econômica, vai ser um engodo para investidores. Ainda mais que, em 2011, tivemos 47,17% de ocupação, que é nosso ponto de equilíbrio”, finaliza.

Da Redação: Rogério Costa Arantes
editoria@jornalsemanario.com.br

Da Redação: Jorge Bronzato Jr.
redacao@jornalsemanario.com.br

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