Há uma unanimidade entre os empresários da rede hoteleira: os meses de janeiro e fevereiro são, historicamente, muito fracos para o setor. As dificuldades encontradas neste e em outros períodos de baixa temporada os forçaram a promover e apoiar ações que atraiam visitantes a Bento Gonçalves em épocas do ano em que, tradicionalmente, o movimento não é forte.
“Não adianta que em alguns eventos os hotéis não deem conta do movimento, enquanto na maior parte do ano eles fiquem vazios”, afirmou a diretora executiva do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Região (SHRBS), Márcia Ferronato. Segundo ela, a média de ocupação dos hotéis durante o ano fica entre 40% e 50%. “Nossa meta é aumentar esse índice para um valor entre 70% e 75%, e para isso é imprescindível que não tenhamos uma queda tão brusca na baixa temporada”, explicou.
Uma das iniciativas que prometem aquecer o movimento nesse período é o Bento em Vindima – série de eventos que celebram a colheita da uva. “Estamos ainda nas primeiras experiências, que merecem ser ampliadas e melhoradas. Mas é um bom começo, e os resultados já estão aparecendo”, garante o empresário Moysés Michelon, proprietário de um hotel no Vale dos Vinhedos. “No entanto, precisamos atrair ainda mais eventos para movimentar a cidade. Nesse sentido, é importante destacar o trabalho realizado pelo Bento Convention Bureau”. Michelon acredita que a cidade precisa agir em conjunto nessa tarefa. “Todos os segmentos econômicos serão beneficiados, pois o hotel é só o pouso. O visitante vai passar na vinícola comprar um vinho, jantar nos restaurantes, e levar uma lembrança pra quem ficou em casa”, explicou.
Tarcísio: “Crise é benéfica”
A possibilidade de inovações turísticas em Bento Gonçalves agrada o empresário Tarcísio Michelon, sócio-gerente de uma rede de hotéis na cidade. “Há 30 anos que eu sonho com o dia em que a imprensa noticiaria a crise na rede hoteleira”, revelou. Para ele, é nesse período de dificuldades que os empreendedores precisam lançar mão de sua criatividade, o que considera positivo. “Projetos inovadores, que antes seriam descartados, agora são vistos como possíveis soluções para aquecer o turismo em Bento Gonçalves”, explicou.
Para justificar seu ponto de vista, Michelon recorreu ao passado – mais especificamente, a uma época em que os visitantes não encontravam atrativos turísticos na cidade. “Os agricultores, na época, eram muito pobres, e aceitaram de bom grado a possibilidade de investir em turismo. Graças a essa abertura, hoje temos 79 vinícolas em Bento, que frutificaram a partir dessa atividade econômica”, recordou. Fazendo uma analogia com o presente, Michelon acredita que uma mentalidade mais aberta a novos projetos pode solucionar o problema das baixas temporadas. “Se Bento Gonçalves souber investir em suas potencialidades turísticas, seremos um destino que concorrerá com Gramado e Canela. Nesse dia, viveremos outro problema: a falta de hotéis”, concluiu.
Da Redação: Daniel Isaia economia@jornalsemanario.com.br