Por Rogério Costa Arantes
Dilma de festa
A invasão de importados, que prejudicam a competitividade das empresas locais e trazem ameaça de desindustrialização, a desoneração tributária, o alto custo do emprego e as taxas de câmbio, temas tão pertinentes à classe empresarial serrana, ficaram à margem da visita da presidente Dilma Rousseff em sua rápida passagem por Caxias durante a abertura da Festa da Uva. Quem estava lá viu um mundo perfeito, onde nem mesmo os cortes de recursos do governo federal arranharam a visita.
Na verdade, o que poderia ser a ocasião ideal para cobrar soluções de infraestrutura para destravar o desenvolvimento econômico da Serra se esvaiu em um acordo de lideranças para “não contaminar o clima de festa” na passagem de Dilma. Nem uma carta de intenções, nem discursos mais políticos chegaram às mãos e aos ouvidos presidenciais. De Bento, sequer houve representação das entidades empresariais.
Em troca das “boas maneiras”, Dilma deu garantias importantes aos empresários, fez promessas de combater as práticas comerciais classificadas por ela como “predatórias” e garantiu apoio ao setor produtivo serrano. Mesmo sem receber documentos, a presidente levará na bagagem pedidos de recursos para resolver gargalos estruturais da região, como a duplicação das rodovias e o novo aeroporto regional. De acordo com o deputado federal Pepe Vargas (PT), que articulou o acordo, o Planalto gostou da estratégia e se comprometeu a responder às demandas.
Ficha finalmente limpa
Nas próximas eleições, a Lei da Ficha Limpa finalmente valerá para impedir que políticos cassados, condenados pela justiça ou por órgãos colegiados, possam concorrer a cargos eletivos. A medida vai afetar muita gente país afora, mas começa a moralizar a vida pública, tão desgastada por escândalos. Desta vez, a coisa é ainda mais forte: o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou efeitos retroativos (o que vai impedir que corruptos comprovados do passado possam retomar a vida pública) e a não-exigência do trânsito em julgado (o que impede de concorrer aqueles condenados que ainda possuem chances de recurso). A medida é positiva, e mesmo que gere questionamentos, não há instância superior para derrubá-la.
10 anos e 120 dias
A auditoria que será realizada no Ipurb pela Edson Marchioro Arquitetura, Urbanismo e Engenharia deverá apontar, em 120 dias, como evoluíram as liberações das construções em Bento Gonçalves nos últimos 10 anos, e poderá indicar eventuais situações irregulares ontem e hoje – sob a luz das legislações da época e atuais – em três etapas. Ao final do trabalho será apresentado um relatório técnico que deverá conter aspectos de arquitetura, de engenharia e licenciamentos ambientais, além de análises jurídicas atinentes a cada caso. Nada de caça às bruxas, até porque as eventuais responsabilizações caberão ao Ministério Público (MP) averiguar.
O arquiteto Edson Marchioro (foto) garantiu em entrevista coletiva esta semana que o estudo vai resultar em um amplo diagnóstico, que deverá indicar erros e as providências para evitá-los, mas não pretende apontar os rumos do desenvolvimento urbano da cidade. Por isso, grandes projetos que deverão modificar a fotografia da cidade, como a rua coberta, o hospital público, a revitalização do parque de eventos e as intervenções na mobilidade urbana não devem parar. De quebra, o arquiteto refutou ligações políticas e ameaçou processar quem levantar dúvidas sobre o profissionalismo do trabalho.
Ponto
Os vereadores deverão apreciar já na primeira sessão ordinária do ano, marcada para o dia 5 de março, o projeto que cria a guarda municipal em Bento.
Depois do carnaval, a população poderá conhecer as contas do Legislativo bento-gonçalvense. Uma audiência para apresentá-las está marcada para o dia 27.
Bento Gonçalves foi um dos municípios brasileiros convidados a participar de um evento que reunirá dezenas de cidades do mundo em Paris.
O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, esteve em Bento ontem para inaugurar o maior acervo genético de videira da América Latina, o Banco Ativo de Germoplasma de Uva, na Embrapa Uva e Vinho.
Ribeiro Filho confirmou que os principais objetivos do Mapa para 2012 são dar mais segurança e qualidade aos alimentos, gerar crescimento econômico com mais oportunidades e contribuir para a sustentabilidade ambiental.
A repercussão do atropelamento que causou a morte da advogada Eliana Boniatti há uma semana está ultrapassando os limites nas redes sociais, muitas vezes rompendo a barreira do bom senso e, mesmo, da verdade.
Aos meios de comunicação cabe uma postura ética e equilibrada. Por isso, o Semanário se reserva o direito de não expor nome ou foto do suspeito, por exemplo.
É imperioso que a Justiça seja feita, que a polícia ouça o acusado e que não haja empecilhos à investigação. Mas essa tarefa é da polícia. Fora disso, é preciso rejeitar a caça às bruxas.
Em Destaque (o que disse a presidente)
"Vocês podem ter certeza que iremos adotar medidas tributárias de estímulo à tributação e à exportação, além da adoção de medidas de proteção", Sobre as políticas de desenvolvimento industrial.
Não iremos ficar ineptos diante da necessidade de se investir e combater todas as práticas comerciais predatórias. Podem ter certeza, o governo se encarregará de tomar todas as providências previstas na Organização Mundial do Comércio (OMC) no que se refere às praticas comerciais assimétricas e danosas", Afirmando aos produtores de vinho que o governo tomará medidas protecionistas.
"Vamos buscar a redução de tributos para estímulo a produção, inovação e formação de mão de obra. A nossa meta é crescer 4,5% este ano. E isso vamos fazer com uma combinação de investimento público e privado", Garantindo que o Brasil crescerá com estímulos.
"Vocês tem uma parceira da produção industrial da região", Sobre as políticas de desenvolvimento industrial.