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Para não chorar a Colombina

Publicada em 18/02/2012.

O Carnaval é, sem dúvida, uma das épocas do ano que gera grande expectativa, tanto para quem curte a folia quanto para quem quer apenas descansar e fugir da correria do dia-a-dia. Mesmo que os quatro dias dedicados à Momo não sejam oficialmente feriados, o imaginário tupiniquim remete a uma festa contínua, para tudo se acabar na quarta-feira, como diz a música. O problema não é esse, afinal, a festa, o samba e os blocos são uma atração para todos os gostos e, para além do indivíduo, transforma-se em uma catarse coletiva reconhecida por todos, de pagãos a crentes, de foliões a psicólogos ou antropólogos sociais.

Não é aí que reside o perigo, ou tampouco no sol abrasador que arremete as pessoas às praias ou às piscinas em uma espécie de euforia coletiva. O alerta está, como em toda época de festas, no trânsito e em seus riscos. Pode parecer chover no molhado, pode parecer aquele Pierrot que continua, como um ciclo, a chorar por sua Colombina, e é assim mesmo. Todo motorista sabe que a prudência ao volante é a melhor receita para chegar vivo ao seu destino. Mesmo assim, quando chega a Quarta-Feira de Cinzas, as capas dos jornais estampam a contagem fatal das vidas perdidas, ano após ano, carnaval após carnaval. Mas, enquanto houver mortes no trânsito, os apelos nos meios de comunicação nunca serão demais. As autoridades também estão fazendo sua parte, com campanhas colocando seu bloco na rua durante todos os dias de festa.

Então, fica combinado: tomou umas a mais? Dê a chave do carro para um amigo que não ingeriu álcool. É simples, e sua integridade estará garantida. Na turma todos beberam ou vão beber? Alugue uma van antes, ou chame um táxi. É repetitivo tal qual aquelas antigas marchinhas de carnaval, até o folião mais novo no salão sabe disso. Mas enquanto alguns motoristas seguirem insistindo em transformar carros em armas, as iniciativas para conscientizar a galera por um trânsito mais civilizado será sempre necessária.

Só assim evitaremos chorar na quarta-feira – não por um amor perdido, como faz o Pierrot, mas, o que é muito mais dolorido, por uma vida que não voltará jamais.

Editorial, 18 de fevereiro de 2012.

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