O projeto do novo salário mínimo regional está mobilizando duas frentes em todo o Estado, inclusive em Bento Gonçalves. Enquanto as entidades empresariais e industriais clamam aos deputados estaduais para que não aprovem o reajuste de 14,75%, os sindicatos de trabalhadores pressionam a Assembleia para que aceitem a proposta, de autoria do Executivo. Em caso de aprovação por parte dos deputados, o mínimo regional passará dos atuais R$ 610 para R$ 700 a partir de março.
Esta semana, o Sindicato do Comércio Varejista de Bento Gonçalves (Sindilojas), seguindo a mesma linha, enviou uma carta a todos os deputados criticando a taxa de reajuste proposta pelo governo. “Esse aumento é uma ilusão. Muita empresa vai demitir funcionários para trabalhar com familiares”, afirmou o presidente do Sindilojas, Jovino Demari. Ele acredita que o aquecimento do consumo e das vendas prometido pelo Executivo não será suficiente para suprir o aumento da carga salarial. “Certamente precisaremos repassar esse aumento para os produtos, que deverão ficar mais caros. Quem vai acabar pagando o preço é o consumidor”, garantiu Jovino.
Trabalhadores contra-atacam
Na segunda-feira, 13, os sindicatos de trabalhadores da região se reuniram para elaborar sua própria carta endereçada à Assembleia. O objetivo é convencer os deputados, principalmente os que tiveram votos expressivos em Bento, a aprovar o aumento de 14,75%. “Esse reajuste vai suprir uma parte da defasagem histórica dos pisos gaúchos.”, afirmou o secretário geral do Sindicato dos Empregados no Comércio de Bento Gonçalves (SEC- BG), Sérgio Neves. Ele considera normal a pressão dos empresários, mas minimizou o impacto que o novo piso causará aos patrões. “Mesmo com esse aumento, ainda ficará faltando em torno de 4,5% relativos à defasagem nos salários, a que os trabalhadores têm direito”, concluiu.