O vindima também representa uma alternativa de trabalho para moradores de localidades distantes que vêm à Serra Gaúcha em busca de melhor remuneração.
No Vale Aurora, o produtor de uvas Dalcir Menego contou com a ajuda de um grupo de 15 jovens do interior de Santa Catarina para a conclusão da colheita da uva. “Começamos colhendo entre os familiares, mas não damos conta. A uva não espera, quando está pronta é preciso colher. Faz uns 15 anos que conto com ajuda de pessoas de fora”, explica o produtor.
Esta é a segunda vez que Claudino Terra, pedreiro de 31 anos, vem à Serra Gaúcha a procura de trabalho. “Aqui é muito melhor de trabalhar, as condições são melhores e as pessoas nos respeitam mais”, ele afirma. Menegoto explica que além dos familiares que auxiliam na colheita, é difícil encontrar moradores dispostos a trabalhar na vindima. “As pessoas daqui pedem cerca de R$ 100 por dia e não temos como pagar tudo isso. Ainda mais este ano em que tivemos perdas de aproximadamente 40% por causa da estiagem”.
Com o trabalho finalizado no Vale Aurora, agora os catarinenses partem para a colheita na Linha Eulália, também no distrito de Faria Lemos. “É uma boa oportunidade para nós que viemos de longe. Têm uns que vieram conosco que reclamavam e foram embora antes, mas eu pretendo vir ano que vem de novo”, afirma Claudino.
O produtor Valmor Marcon, morador de Garibaldina, também lamenta a falta de mão de obra. Durante o ano ele trabalha sozinho cultivando os parreirais de diferentes variedades de uvas, mas para o período de colheita precisaria de mais quatro pessoas para ajudar. “A uva está pronta e é preciso colher. Mas só consegui uma pessoa para me ajudar. Ele veio de Fontoura Xavier, aqui ninguém mais quer trabalhar na colheita”, lamenta a o produtor.