Não é apenas impressão: as ruas de Bento Gonçalves estão ficando mais congestionadas. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em 2001, Bento abrigava uma frota que não chegava a 36 mil veículos. No final do ano passado, a cidade chegou à marca de 67.023 carros registrados – um aumento de 46% em apenas dez anos. Ao longo de 2011, a cada mês, o trânsito precisava suportar uma média de 309 novos veículos. Esses números consideram tanto o número de novos carros emplacados quanto aqueles que deixam as ruas em decorrência de acidentes e danos, ou que simplesmente são desativados.
A intensidade do aumento da frota em Bento Gonçalves é ainda mais significativa se comparada com o crescimento do número de motoristas na cidade. Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) do Rio Grande do Sul, em 2001, pouco mais de 37 mil pessoas estavam habilitadas para dirigir. Dez anos depois, Bento conta com 53.311 condutores – um acréscimo de cerca de 16 mil novos motoristas. Muito pouco, comparado com os 35.945 carros que se somaram à frota da cidade, no mesmo período. O município entrou em 2012 com uma média de 1,25 veículos por condutor – ou seja, existem cinco carros para cada quatro motoristas em Bento Gonçalves.
Obras de grande porte
“Precisamos planejar as soluções com a visão no futuro, para daqui a 20 ou 30 anos”, afirmou o secretário adjunto de Gestão Integrada e Mobilidade Urbana do município, Pedro Soliman. Ele garantiu que, por enquanto, a prefeitura não está tendo grandes dificuldades para reorganizar o trânsito a curto prazo, através de mudanças nos sentidos de algumas ruas, por exemplo. “No entanto, muito em breve será necessário projetar obras grandes, como viadutos e túneis, para suportar o fluxo intenso de veículos. Outra necessidade será descentralizar o trânsito, deslocando-o para zonas menos críticas, pois não será possível alargar as ruas do centro da cidade”, explicou. Soliman, que também responde como diretor do Departamento Municipal de Trânsito (DMT), pediu à população bento-gonçalvense que buscasse entender as medidas tomadas pela secretaria para melhorar o trânsito. “Se não fizermos nada agora, como vamos andar nas ruas da cidade daqui a dez anos?”, questionou.
Motoristas preocupados
Carlos da Rosa é taxista em Bento Gonçalves há cerca de 35 anos. Nos últimos três, para ele, o trânsito na cidade ficou insuportável. “Nunca demorei tanto para me deslocar de um lugar para outro. Onde tu entra com o carro, tem fila”, exclamou. Ele acredita que as mudanças no trânsito realizadas pela prefeitura, em geral, não estão surtindo efeito para melhorar o fluxo. “As ruas estão mal sinalizadas, e o movimento está mal dividido. Além disso, os carros competem o espaço das ruas com dezenas de caminhões e ônibus”, reclamou. Carlos afirmou que os caminhões não deveriam circular nas ruas durante o dia, e os ônibus deveriam ser descentralizados, liberando as ruas principais. E prognosticou: “Dou um ano para o trânsito em Bento entrar em colapso”.
Frota em Bento (jan/2012)
Automóveis e caminhonetes - 48.729
Motocicletas e motonetas - 11.019
Ônibus, carretas, caminhões, etc. - 7.275
TOTAL - 67.023