Nascido na carona das indústrias moveleiras, o ramo de transformação termoplástica de Bento Gonçalves é considerado atualmente um dos principais setores industriais da cidade, com pelo menos meia centena de empresas constituídas, mais de 1,2 mil colaboradores e volume de vendas de centenas de milhões de reais, e já concorre em faturamento com setores mais tradicionais, como a metalurgia e os alimentos.
Comemorando a manutenção dos índices de crescimento próximos dos 6%, o setor inicia agora uma nova fase: no dia 13, o Centro Tecnológico do Mobiliário (Senai Cetemo) inaugura o primeiro curso da nova Escola do Plástico, uma parceria com o Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Vale dos Vinhedos (Simplavi). Nesta primeira fase, a escola vai capacitar em nível básico 25 colaboradores do setor indicados pelas empresas. De acordo com o diretor executivo do sindicato, João Dorval de Almeida Neto, a formação de profissionais para o setor, principalmente com conhecimento em processos de injeção e extrusão do plástico, é um dos principais gargalos do setor. Para o diretor, a qualificação é o principal entrave para ampliar a oferta de empregos no setor.
A realidade do setor não destoa de outros setores da indústria local: há vagas, mas não há qualificação de pessoas para operar processos que exigem cada vez mais capacitação tecnológica. Para Neto, o setor poderia ampliar o número de colaboradores em cerca de 30%. A escola bentogonçalvense, que funcionará em uma das instalações do Cetemo, inicia uma trajetória que pretende preencher essa lacuna, eliminar os entraves causados pelo deslocamento para Caxias para capacitação de funcionários das indústrias, responder a uma demanda das fábricas e ajudar o setor a crescer.
Formação técnica
O diretor da unidade do Senai, César Modena, ressalta que esta primeira fase não abordará a formação técnica, apenas a aprendizagem de nível básico, mas não descarta o desenvolvimento da proposta. Neste primeiro curso, estão programadas 1,2 mil horas de qualificação profissional nos processos de injeção e extrusão do plástico, onde os 25 alunos participarão de aulas teóricas e práticas, conhecendo as características e usos de diferentes tipos de materiais, como poliuretano, polipropileno ou poliestireno. “A ideia é formar pessoas e disseminar a cultura do plástico dentro da formação profissional. Este é o primeiro passo. Se encontrarmos bastante massa crítica e uma base sólida, poderemos encaminhar cursos de nível técnico” projeta Modena.
Antes da inauguração da escola, o Cetemo já oferecia capacitação para as indústrias do setor em Bento, com aulas teóricas nas instalações do Senai e prática nas empresas. Para formar a escola, o Senai investiu cerca de R$ 2,5 milhões em equipamentos através de um projeto encaminhado pelo Cetemo em parceria com o Simplavi.
Otimismo no setor
Além de ser um dos setores que mais cresce entre os segmentos industriais de Bento, a indústria brasileira de transformação do plástico, integrada por aproximadamente 12 mil empresas e empregadora de mais de 300 mil pessoas, comemora recordes no consumo interno de seus produtos e nas contratações.
O otimismo dos futuros alunos e empresários do setor é confirmado por Modena. Para ele, o plástico será durante muito tempo objeto de estudo para profissionalização. Por isso, a Escola do Plástico já projeta novos cursos. Em princípio, serão capacitações específicas, em cursos de pequena duração. “Tem que dar o start. Mas já estamos em tratativas com o Simplavi para abrir cursos de média e curta duração à noite. Estamos conhecendo os principais gargalos do setor”, confirma o diretor do Cetemo.
No futuro, além dos cursos de aprendizagem, a intenção é oferecer vagas para qualificação e aperfeiçoamento, voltado aos profissionais que já trabalham na área. “O crescimento do setor do plástico é uma realidade. Estamos oferecendo mais uma alternativa de capacitação para a região, em uma área que tem um futuro muito longo pela frente. Ainda que persista a questão ambiental, o plástico é uma forma sintética daqueles gases – que são ainda mais nocivos enquanto gases – virarem uma utilidade para o ser humano”, sintetiza Modena.
Da Redação: Rogério Costa Arantes editoria@jornalsemanario.com.br