Mesmo que tenha crescido em níveis superiores aos registrados no país, os resultados da produção industrial registrados no ano passado no Rio Grande do Sul – e que repercutem em Bento Gonçalves – fizeram acender o sinal de alerta nos escritórios das entidades ligadas ao setor. Os números divulgados pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) na segunda-feira, 6, demonstram que o desempenho industrial verificou um índice de crescimento de 0,3 – o que representa, na prática, uma perigosa estagnação do mercado. Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento foi de 2%.
Os dados reforçam a preocupação com anos desfavoráveis para a indústria de transformação, que tem perdido participação no PIB estadual. Entre os vilões desta situação, os empresários são unânimes em apontar a deterioração do cenário mundial, o câmbio valorizado, o aumento das importações e o acúmulo de estoque, juntamente com a alta dos juros, como determinantes para o resultado modesto.
Em Bento, mesmo que o desempenho industrial seja considerado satisfatório para a maioria dos setores, há uma realidade que aponta perda de fatias de mercado. No setor moveleiro, por exemplo – um dos mais representativos da indústria bento-gonçalvense – o crescimento do faturamento menor que o verificado no Estado aponta uma perda de participação em relação a outros polos fabris. Mesmo assim, o setor registrou em 2011 um índice de crescimento de 1,9, bem acima dos 0,3 verificados na média do polo industrial gaúcho. O resultado do setor ilustra o que ocorre com as principais áreas da indústria local: crescimento maior que o verificado pelo Estado, mas menor que as estimativas.
O crescimento das importações, as altas cargas tributárias, a concorrência cada vez mais acirrada, além de problemas históricos de infraestrutura que acarretam maiores custos logísticos são apontados como os principais entraves para o desenvolvimento industrial em Bento e na região serrana gaúcha. Para superar os entraves, a Fiergs defende um “choque de industrialização” para o Estado e para o país. Um choque estrutural, capaz de gerar mudanças profundas.
Alguns fatores já começam a contribuir para o começo de uma retomada em 2012, e a maioria dos setores preveem um ano com índices de crescimento superiores aos verificados nos anos anteriores. Estoques mais ajustados, mercado de trabalho aquecido, redução de juros, estímulo ao consumo e gastos fiscais podem fornecer fôlego para que a atividade industrial gaúcha inicie uma recuperação gradual, especialmente a partir do segundo semestre deste ano. Mas será preciso cobrar.
Editorial, 11 de fevereiro de 2012.