\\ SEMANÁRIO \ geral

Local ainda causa controvérsias

Segundo proposta, via paralela à Walter Galassi, assim como espaços da área de lazer teriam intervenções - Foto: Tomaz Graciliano/Jornal Semanário
Segundo proposta, via paralela à Walter Galassi, assim como espaços da área de lazer teriam intervenções - Foto: Tomaz Graciliano/Jornal Semanário
Publicada em 11/02/2012.

Por mais que a prefeitura tenha defendido a ideia de que a proposta da rua coberta começa a ganhar forma somente a partir de agora, a utilização de uma via da Marechal Floriano e da praça Walter Galassi como cenário para a projeção do empreendimento desagradou alguns lojistas do Centro. Mesmo garantindo que ainda não há nada definido – nem mesmo a localização da obra –, o Executivo abriu espaço para a polêmica sobre a escolha do espaço ao mostrar, em audiência pública, uma animação tridimensional da previsão de ocupação territorial na área.

Com investimento previsto de R$ 1,2 milhão, sendo R$ 96 mil de contrapartida da administração municipal, a rua coberta teve o pré-projeto cadastrado no Ministério do Turismo prevendo a instalação na Cândido Costa. Por indicações técnicas, especialmente de órgãos de segurança, a opção inicial acabou sendo deixada de lado.

Coordenando a audiência, realizada na Fundação Casa das Artes no final da tarde da quinta-feira, 9, a secretária de Governo, Eliana Passarin, garantiu que uma possível intervenção na Walter Galassi e arredores não terá corte de árvores e nem interferências no patrimônio histórico do local. “O objetivo é fomentar o turismo, alimentar o comércio local e criar um espaço de convivência para os bento-gonçalvenses”, diz.

Outra justificativa apresentada pela prefeitura, dessa vez pela secretária de Turismo, Ivane Fávero, foi a necessidade de, em caso de eventos, montar e desmontar palcos para apresentações culturais – o projeto prevê uma dessas estruturas de forma permanente. “Mesmo no verão, temos essa dificuldade para fazer um show ao ar livre”, afirmou Ivane.

Permanência

Apresentada pelo arquiteto André Menin, a proposta de ocupação do espaço projeta a utlização de recursos ligados à cultura de Bento, adotando, por exemplo, conceitos de design relacionados aos setores moveleiro e metalmecânico. A intenção é fazer com que as pessoas passem mais tempo no local, que pode receber negócios e serviços, como cafeteria e comércio de artesanatos. “Hoje, esse espaço é de transição, mas não é de permanência”, destaca.

Presidente da Câmara sugere rever escolha

Favorável à proposta de implantação, mas contrário ao lugar até aqui apontado como o provável a receber o novo empreendimento, o presidente do Legislativo municipal, Valdecir Rubbo (PDT), sugeriu duarante a discussão que seja reavaliada a localização da rua coberta. “É verdade que nós temos poucos locais, mas me parece que a Marechal Floriano não é o ideal. Acho que temos que repensar”, opina o vereador.

Como argumentos principais para justificar a sua manifestação, Rubbo aponta a necessidade de manutenção da segurança bancária, já que pelo trecho transitam e param muitos carros fortes que abastecem as agências centrais, e também a recente revitalização da praça Walter Galassi, que poderia ser prejudicada com uma nova intervenção estrutural.

Reclamação e desinformação

Durante a audiência, a secretária de governo, Eliana Passarin, reclamou de órgãos da imprensa bento- gonçalvense que teriam falado em “projeto” (termo utilizado pela assessoria de comunicação da prefeitura), quando o que foi apresentado  e debatido é apenas uma proposta de ocupação. O Semanário tentou ter acesso ao material utilizado na explanação, mas foi informado pela própria assessoria de que a projeção não seria divulgada à imprensa.

“O que vemos aí é só a destruição da praça”

Das manifestações contrárias à proposta de criação da rua coberta no Centro, a do empresário Valdecir Durli foi a mais forte. Representando comerciantes da Marechal Floriano, Durli sugeriu que a iniciativa fosse transferida para o bairro São Bento, pela presença de bares e restaurantes, que permanecem abertos até mais tarde do que os estabelecimentos da zona central da cidade. “O que vemos aí é só a destruição da praça”, diz.

Outro ponto ressaltado pelo empresário foi a possibilidade de que outros estabelecimentos sejam implantados sob a rua coberta, o que, segundo o poder público, se daria por meio de processo licitatório. “Se é para fomentar o comércio local, por que colocar novos negócios ali?”, indaga.

A audiência pública reuniu cerca de 100 pessoas, mas foram permitidas – após a apresentação – apenas 10 manifestações de três minutos cada.

Sem “bairrismo” e sem “paradigmas”

Integrante do Viva Bento, um dos grupos que trabalharam no projeto de revitalização da Via del Vino, o empresário Jamirton Benazzi afirmou que a falta de informações verificada antes da audiência contribuiu para confundir as pessoas sobre a proposta. “Isso acontece muito aqui em nossa cidade, a gente fica sabendo de tudo antes e de forma distorcida. O que peço aos lojistas é que deixem de lado o bairrismo e os paradigmas”, destacou Benazzi, pedindo aos comerciantes adesão à iniciativa.

A presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Helenir Bedin, que durante a semana afirmou que esperaria a apresentação para uma manifestação oficial sobre a proposta, se mostrou satisfeita com o que viu. “Eu penso que temos uma grande oportunidade e não podemos desperdiçá-la. Vamos transformar o Centro realmente em um atrativo.”

Algumas reclamações de lojistas

O projeto influenciará negativamente o tráfego no Centro;
Trará maior dificuldade para o abastecimento das lojas, lancherias, restaurantes e escritórios localizados ao longo da via;
Tornará a via um local fechado, gerando insegurança;
Bloqueará o acesso da luz solar nos estabelecimentos;
Potencializará a falta de segurança em relação aos carros-fortes;
A cobertura pode se tornar abrigo para mendigos, além de ser julgada ecologicamente incorreta se colocada também na praça, pela existência de árvores centenárias e um pinheiro símbolo do Natal de Bento Gonçalves, que poderá ficar encoberto;
Ofuscará o patrimônio histórico;
O centro da cidade, no ponto da Marechal Floriano paralelo à praça, não merece ser escondido, por ser o centro financeiro da cidade.

Da Redação: Jorge Bronzato Jr.
redacao@jornalsemanario.com.br

Compartilhe!