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Oferta e procura

Publicada em 08/02/2012.

O recrudescimento das ações de combate às drogas em Bento Gonçalves apresentou resultados positivos em 2011. De acordo com os números da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado, as ocorrências envolvendo a posse de entorpecentes aumentaram em 44%, enquanto as prisões de traficantes cresceram 10% em relação a 2010. O resultado positivo remete às ações de inteligência e a uma investigação mais pontual das polícias, através de uma parceria entre a Polícia Civil e a Brigada Militar.

Mas o combate às drogas não depende unicamente das ações policiais, ainda que a repressão seja uma das frentes mais importantes para o sucesso das ações. Afinal, o terreno movediço das drogas atrai um número cada vez maior de pessoas que se afundam e não conseguem voltar à superfície, movidas pelo engano de preferir a droga à própria vida. É preciso sim acabar com a oferta do produto através do combate ao narcotraficante, que recebe as maiores penas legais, quando preso e processado. Mas também é preciso agir junto ao usuário, intimidando e reprimindo a demanda.  Aí se inclui a educação, que precisa mostrar ao indivíduo os riscos do consumo e seus males à saúde. Outra forma de combate é o tratamento daqueles que já estão dependentes de drogas. Destas estratégias, a que tem recebido maior atenção das autoridades é o combate ao tráfico, que conta inclusive com apoio logístico, técnico e financeiro dos Estados Unidos, muito embora a sociedade como um todo esteja se unindo em torno da ideia do combate através da educação, discutindo e revelando os riscos e danos que o uso da droga ocasiona no indivíduo.

Há pelo menos 70 anos, entram no Brasil, produzidas no Paraguai, na Bolívia e na Colômbia, toneladas de drogas, sem que até o momento tenha sido idealizado um programa capaz de enfrentar esse câncer social, que antes corrompia os adultos, depois os jovens e agora alcança nossas crianças. A importância econômica do Brasil e o destaque alcançado no continente permitiriam que o governo brasileiro se empenhasse num trabalho diplomático junto aos países vizinhos para tentar refrear a produção de drogas. Especialistas dizem que de nada adianta combater internamente a ação dos traficantes se nos territórios próximos à nossa fronteira a droga continua a ser produzida e a entrar impunemente.

Mas a melhor forma de combate às drogas é a prevenção, já que o tráfico sobrevive da lei da oferta e da procura. Quem lida com o Direito ou com as atividades ligadas diretamente à segurança defende que na raiz de mais da metade dos delitos cometidos no país está a droga. O adolescente que pratica assalto nos cruzamentos das grandes cidades pode estar desesperado à busca de dinheiro, não para jantar com a namorada ou comprar uma roupa de grife, mas para comprar uma pedra, um papelote, um tijolinho, quando não usa para pagar uma dívida com o traficante, porque, se não pagar com dinheiro, pagará com a própria vida.

Portanto, é preciso reprimir e conscientizar com a mesma intensidade. Estão certas as policiais em recrudescer o combate ao traficante e a repressão ao uso, mas é preciso tratar o usuário como dependente químico e educá-lo para abandonar o malefício. Caso contrário, as drogas continuarão a entrar no país e os traficantes continuarão a se multiplicar, porque haverá quem queira comprar. Assim, o trabalho das polícias torna-se um moto continuo que referenda um sistema fatal: enquanto prende um traficante aqui, surge outro para tomar seu lugar.

Editorial, 08 de fevereiro de 2012.

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