\\ SEMANÁRIO \ geral

Termo deve sair em 60 dias

Empresa aponta viabilidade no projeto e diz que sugestões do público serão avaliadas - Foto: Tomaz Graciliano/Jornal Semanário
Empresa aponta viabilidade no projeto e diz que sugestões do público serão avaliadas - Foto: Tomaz Graciliano/Jornal Semanário
Publicada em 04/02/2012.

Mesmo sob críticas quanto à instalação de um shopping center no Parque de Eventos, o Plano Máster da Fundaparque foi aprovado em audiência pública realizada na terça-feira, 31 de janeiro, na Casa das Artes. O próximo passo deve ser dado dentro de 60 dias, quando será elaborado o termo de referência que balizará a futura licitação. Além disso, um projeto de lei deverá passar pelo Legislativo para que a cessão da área pública para a fundação seja ampliada, permitindo que o projeto seja realizado.

Pouco mais de 40 pessoas participaram do encontro que foi liderado pelo prefeito Roberto Lunelli. Entre as presenças estavam empresários e representantes de entidades de Bento Gonçalves.

Após a apresentação do plano de negócios, a empresa M. Stortti Business Consulting Group, contratada para assessorar o projeto, deverá montar, juntamente com a prefeitura, uma comissão para avaliar as sugestões apresentadas durante a audiência e elaborar o termo de referência para o edital. O documento deverá conter as principais diretrizes para a licitação. Após isso, deverá ser lançado o edital de licitação contendo as diretrizes expostas no plano de negócios e, posteriormente, encaminhada a contratação da empresa vencedora. “A empresa deverá cumprir com o exposto no plano de negócios”, assegura Maurênio Stortti, diretor da empresa.

De acordo com o prefeito, já teriam interessados em investir no shopping, que seria o primeiro ato a ser realizado e custaria aproximadamente R$ 105 milhões. Além da obra do shopping, a primeira fase prevê também investimentos nas vias de acesso e remodelação do parque. Ao todo, o projeto está orçado em mais de R$ 200 milhões e prevê investimento nos pavilhões, a construção de um centro administrativo para a prefeitura, hotel, centro empresarial e museu do móvel.

Construção de shopping divide opiniões em Bento

Durante as manifestações na audiência pública, ficou claro que a construção do shopping é polêmica. Também chamou atenção a construção do hotel.

O primeiro pronunciamento foi do empresário Moysés Michelon. Ele sugeriu melhorias no centro de eventos, sendo necessário pensar em um centro de convenções para eventos menores. Michelon também criticou a instalação de um hotel no local. “Atualmente, temos uma lotação média de 40% nos hotéis da cidade. Lotação mesmo, só existe quando tem feiras. Então, não precisamos de mais um hotel na cidade”, disse.

O presidente do Centro da Industria e Comércio (CIC-BG), Jordano Zanesco, questionou a instalação do shopping. Em sua visão, o comércio naquele local inviabilizaria feiras como a ExpoBento e a Fenavinho. “Temos também que aprofundar a questão jurídica, como os investimentos nos pavilhões, o gasto de energia”, disse.

A preocupação do presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul  (Movergs), Ivo Cansan, é quanto ao estacionamento e os investimentos já realizados pela entidade e pelo Sindmoveis no parque. “Há uma dívida de R$ 5 milhões da Movergs e do Sindmóveis com a Fundaparque. Temos que discutir melhor o que construir antes e analisarmos como fica o que construímos”, argumentou.

Para o diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Marcos Carboni, é necessário valorizar o comércio local. Segundo ele, a implantação de um shopping em uma cidade que já possui dois não seria adequada. Além disso, o plano de negócios sugere um valor de aluguel de R$ 73 por metro quadrado, o que estaria muito acima do valor de mercado.

“Shoping não é o que o pessoal quer”, disse o médico e empresário hoteleiro Jaime Farina, apesar de afirmar que o projeto para o parque é magnífico. Ele também questiona a construção de um hotel no local.

Da Redação: Tomaz Graciliano
politica@jornalsemanario.com.br

Compartilhe!