O assunto está tomando proporções que não interessam ao governo do Estado. Tarso Genro, enquanto candidato, prometeu e até assinou documento se comprometendo a não prorrogar os contratos de pedágios. Antes pelo contrário, disse que acabaria com “esse modelo de concessão” e partiria para licitações onde “o melhor serviço pelo menor preço” (aliás, é o que a lógica e o bom senso determinam em se tratando não só da coisa pública) seria a tônica. Desde 1996, quando o desgoverno antonio brito começou a falar sobre os pedágios, após tomar conhecimento sobre o assunto, posicionei-me frontalmente contra o modelo que ele pretendia e, depois, foi referendado pela maioria dos deputados. Desde o primeiro momento, achei muuuuiiitooo estranho o fato do valor da tarifa – R$ 3, em 1996 – já estar definido nos editais. Achei muito mais estranho ainda o texto dos contratos. E comentei no Jornal Semanário, muitas vezes, que eles portavam 98 cláusulas favoráveis às concessionárias, uma contra o governo e uma contra os usuários. E escrevi, também, COMO o pedágio de Farroupilha foi gestado, publicando carta escrita pelo então presidente da CIC de Caxias do Sul, empresário Nelço Tesser, na qual a entidade sugeria ao desgoverno brito que implantasse o pedágio em Farroupilha visando angariar fundos para a conclusão da Rota do Sol. O governador e seus amigos acharam ótima a idéia, mas esqueceram de fazer do pedágio COMUNITÁRIO, atendendo, assim, reivindicação do povo rio-grandense, que era concluir a Rota do Sol. Protestei, veementemente, com a humildade de quem sabe que pouca ou nenhuma repercussão teria meus protestos. O motivo, elementar, era de que à imprensa amiga não interessava, economicamente falando, denunciar todo o mal que o modelo de pólos de pedágio e os textos “mui amigos” dos contratos trariam ao povo gaúcho. Fui uma voz solitária bradando no deserto da omissão da população, anestesiada pelas manchetes animadoras pagas pelos pedagiadores. Ninguém via que o desgoverno brito recuperava, asfaltava e sinalizava rodovias, com dinheiro público, para deixá-las bem aos seus amigos concessionários. Da mesma forma, ninguém via ou sentia as pauladas dadas nas tarifas de energia elétrica e comunicações para deixá-las à feição aos “felizes compradores” da nata das empresas estatais. Agora, quando a esmagadora maioria da população do Estado está contando os dias para o fim dos contratos desses famigerados pedágios (que só agora muitos viram a “m” feita pelo desgoverno de então), eis que Tarso Genro dá papo para as concessionárias que querem porque querem PRORROGAR os contratos. Olho vivo, porque cavalo não desce escadas, já dizia Ibrahim Sued. Particularmente, não acredito que Tarso Genro e o PT tenham coragem suficiente para atraiçoar o Rio Grande do Sul dessa forma. Mas....
Antônio Frizzo, economista