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Uma luz no fim da linha

Publicada em 01/02/2012.

A nova licitação do sistema de transporte público em Bento Gonçalves deve estar nas ruas nos próximos meses e, se não houver embargos judiciais do processo, os contratos com as empresas vencedoras devem vigorar ainda este ano. Assim, até o fim do ano, espera-se que uma remodelação no sistema de transporte coletivo urbano elimine problemas pontuais, organize o setor e facilite a vida dos usuários.

A nova licitação atenderá uma exigência do Ministério Público (MP) e regularizará a concessão dos serviços, atualmente realizados através de uma prorrogação automática dos contratos, cujo término será em 2022. Não que o serviço seja ruim – longe disso, de acordo com um diagnóstico apresentado em audiência pública na segunda-feira, 30 de janeiro. O estudo mostra que o sistema abrange 100% da população, o número de carros é suficiente para atender a demanda e a idade média da frota é relativamente baixa.

O que está em jogo é mesmo a evolução de um sistema que carece de um planejamento que ultrapasse o entendimento das empresas para atender os interesses de um município que cresce ano após ano e de uma população que ostenta o melhor IDH do Estado e uma das mais altas rendas per capita do Rio Grande do Sul. É preciso organizar itinerários, resolver demandas reprimidas, facilitar a identificação das linhas, implantar a tarifação integrada para evitar que parte da população (20% dos usuários de ônibus no centro, de acordo com o estudo) pague duas passagens para chegar ao destino e, quem sabe, reduzir o preço das tarifas e ampliar os atrativos do sistema para aumentar o número de usuários e, consequentemente, diminuir a utilização de veículos na cidade, principalmente na área central.

Mesmo que sejam apenas indicativos, a luz no fim da linha é bastante visível: partindo de um diagnóstico que estabelece uma importante radiografia do sistema, será possível sanar os gargalos e apontar para um sistema de transporte público mais humano, moderno e digno de uma cidade que se impõe como uma das melhores qualidades de vida do Estado. Mas será preciso debater com as comunidades o que efetivamente atende seus interesses. É preciso que a sociedade se apodere do sistema público – e não só no caso dos transportes. Só assim ela que poderá adotar o ônibus ou o seletivo como o principal meio de transporte na cidade.

Editorial, 1º de fevereiro de 2012.

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