Postal, que recentemente transferiu seu domicílio eleitoral de Guaporé para Bento Gonçalves, assume no lugar de Adão Villaverde (PT) com a sensação de um sonho realizado e espera construir uma gestão de diálogo, que não abra mão do protagonismo exigido do Parlamento.
Jornal Semanário – Como o Sr. avalia sua trajetória até chegar à presidência?
Alexandre Postal – Exitosa. Comecei cedo, no movimento estudantil. Depois, iniciei participação na Juventude do PMDB, único partido ao qual estive filiado nessas três décadas de vida pública. Na sequência, fui assessor na Assembleia. Depois, prefeito na minha cidade natal, Guaporé. Em 1995, retornei como deputado. Atualmente no quinto mandato, sempre com votações crescentes, e depois de vivenciar inúmeras funções partidárias e cargos públicos, como secretário dos Transportes do governo Rigotto, chego ao topo desta trajetória, ao posto com o qual todo o deputado eleito sonha.
JS – Sua assunção à presidência é considerada a realização de um sonho pessoal?
Postal – Evidente que sim. Quem não sonha, não cresce, não avança, apenas vê o tempo passar. O sonho no sentido de desejar algo, de mentalizar o que se quer e, depois, perseguir, buscar o que se almeja, até alcançá-lo. Estou concretizando este sonho, que começou a se formar quando, aos 20 anos, trabalhei como assessor na Assembleia. Passadas três décadas, quis o destino que eu chegasse ao cargo mais alto no Legislativo rio-grandense. Ocuparemos o cargo que resulta de consenso entre as quatro maiores bancadas da 53ª legislatura.
JS – O que representa para Bento e para a Serra Gaúcha sua ascensão à presidência?
Postal – Entendo que a transferência de meu domicílio eleitoral para Bento representa a efetiva conquista de representatividade não só para o município, mas também para a região. Acredito que este movimento deverá ampliar as conquistas e o atendimento às demandas. Sempre estive à disposição de Bento Gonçalves, mas, hoje, com mais efetividade, quero estar cada vez mais ligado à cidade.
JS – Por que o Senhor considera fundamental que o presidente da AL tenha exercido o cargo de primeiro secretário da Casa?
Postal – Pela experiência que isso determina. A 1ª Secretaria é a principal instância administrativa da Casa, por onde tramitam e transitam todas as questões que direcionam o seu funcionamento.
JS – Sua ascensão faz parte de um acordo estabelecido no início da Legislatura. Este acordo esteve ameaçado?
Postal – Não houve qualquer ameaça. Esta transição é um procedimento normal dentro do funcionamento da Casa. Os acordos e as composições fazem parte da história do Parlamento e resultam exatamente da pluralidade de opiniões e posições que surgem das urnas. A Mesa para a gestão 2012 está configurada neste contexto.
JS – Quais as principais metas e desafios de sua gestão?
Postal – Entre os principais compromissos está zelar pela autonomia e independência do Poder. Tenho a convicção de que nós, deputados, independente das questões ideológicas e político-partidárias, manteremos a Assembleia numa posição de vanguarda, com a coragem de quebrar paradigmas, sintonizados com as reivindicações, os anseios e aspirações do povo gaúcho. De outra parte, além do respeito pela diversidade das ideias e dos pensamentos, vou me valer da experiência parlamentar adquirida em cinco mandatos.
JS – O Senhor considera que um ano de mandato é suficiente para imprimir mudanças na AL?
Postal – Evidente que não. Cumpriremos o cargo em 2012 como resultado de acordo entre os quatro presidentes da 53ª legislatura. Esta gestão decidiu por inédito compartilhamento nas ações administrativas, como forma de permitir continuidade e mais eficiência na condução do funcionamento da Casa. Daremos prosseguimento àquilo que for bom e de interesse da sociedade. Este Poder não pode, a cada ano, sofrer mudanças impactantes de condução. Estas alterações interrompem projetos, impedem planejamentos de médio e longo prazos, tornam efêmeras atividades importantes para o andamento do Legislativo e, especialmente, impossibilitam condutas de gestão que os momentos atuais exigem, e que a Constituição estabelece. A administração não será pessoalizada.
JS – No seu entendimento, quais os principais gargalos do desenvolvimento gaúcho? Como a AL pode se inserir nesse processo?
Postal – Áreas específicas precisam de atenção, mas caberá a Assembleia acompanhar a realidade da chamada “nova economia” em expansão no Estado, como a indústria oceânica, o polo naval de Rio Grande, a energia eólica, biocombustíveis e semicondutores. E, além destes setores, existem outros de alta tecnologia, que se estabelecem na Tecnosinos e na Tecnopuc, e em outros polos em fase de planejamento. Os setores tradicionais da economia gaúcha continuarão merecendo a nossa atenção, como é o caso da cadeia da agropecuária, segmentos automotivos e de máquinas, eletroeletrônica, celulose e móveis, vitivinicultura, petroquímica, calçados, entre outros. Estas referências de natureza econômica, com reflexos sociais, demonstram o protagonismo que o Parlamento pode ter nas decisões dos caminhos do nosso desenvolvimento sustentável. A Assembleia será um espaço aberto de debates com o Governo, investidores, instituições públicas e privadas, entidades representativas da população, para discutir o Estado que queremos.
JS – Em âmbito nacional, o seu partido, PMDB, é aliado ao governo federal, mas no Rio Grande do Sul faz oposição ao PT. Como será o diálogo da AL com o Governo Tarso em sua gestão?
Postal – Primeiro, entendo como fundamental para o PMDB nossa presença à frente do Parlamento, na medida em que este será o cargo de maior visibilidade da sigla neste ano eleitoral. Igualmente, será importante na consolidação do partido no seu papel de oposição. No campo federal, a configuração é outra. Prosseguiremos nesta direção, resultado do momento político-partidário do Rio Grande do Sul. Em 2011, a Bancada do PMDB na Assembleia esteve à frente do processo de oposição, sempre com responsabilidade e coerência, votando projetos que significaram melhorias aos gaúchos e maior possibilidade de desenvolvimento, e este comportamento deverá prosseguir. Evidente que o exercício da presidência exige postura acima das questões das siglas e eu saberei distinguir as situações. Assim, o presidente da Assembleia, Alexandre Postal, atuará acima das situações político-partidárias, quando as questões disserem respeito àquilo que for o melhor para os gaúchos, compromisso assumido pessoalmente com o governador Tarso Genro.
JS – O Senhor assume a presidência em ano eleitoral para os municípios. O que isso representa?
Postal – Representa algo positivo, como toda a eleição: a prática da Democracia. De outra parte, não podemos falar em desenvolvimento sem a participação forte e efetiva dos municípios. Assim, prestigiaremos sempre os administradores e legisladores municipais, porque são eles que estabelecem o diálogo direto com o cidadão. Acredito que o Parlamento possa dar sua contribuição ao pleito, realizando seminários de formação para os futuros gestores. Neste sentido, vamos buscar a contribuição da Justiça Eleitoral, do Ministério Público e de especialistas em gestão para oferecer aos candidatos ferramentas de facilitação ao entendimento das normas e regras que deverão nortear suas administrações. Dessa forma, estarão ainda mais habilitados e preparados para desempenhar mandatos compatíveis com a realidade constitucional e com as necessidades de seus municípios.
JS – Como será o posicionamento e ações da AL sobre as emancipações que estão sendo questionadas pela PGR? Há uma mobilização para pressionar o STF a não conceder a liminar da PGR e julgar o mérito da ação a favor dos municípios?
Postal – Classifico a mobilização coordenada pela Famurs como legítima e oportuna. O objetivo foi pedir apoio ao Parlamento para impedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) conceda liminar que interrompe o processo emancipatório de Pinto Bandeira. Se acolhida, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) 4711, pode provocar efeito cascata e contestar a independência administrativa de outros 29 municípios. Submeter estas comunidades a uma situação assim é lamentável e desnecessária. Faz bem a Famurs em mobilizar a representação social dos municípios em risco. Só por meio da pressão se poderá estancar esta tentativa de retrocesso. Ressalto que, como presidente da Assembleia, darei todo o apoio ao movimento desencadeado pela Federação dos Municípios.
JS – Qual será seu posicionamento para as eleições 2012? Há possibilidade de o senhor concorrer a prefeito em Bento Gonçalves? Ser prefeito em Bento é uma de suas aspirações políticas?
Postal – A presidência da Assembleia será minha prioridade em 2012. Evidente que muito me honraria, e tenho certeza que honraria qualquer cidadão, poder administrar um município da importância de Bento Gonçalves, destaque estadual por sua pujança e desenvolvimento econômico. Correligionários até expuseram sua expectativa de que eu viesse a concorrer a prefeito. Em momento algum, no entanto, afirmei que minha decisão (de transferir o domicílio eleitoral para Bento) visava à prefeitura. Meu projeto prioritário, para o qual me preparei, é o de presidir a Assembleia.
JS – Como o senhor avalia o fortalecimento do partido em Bento?
Postal – O PMDB de Bento Gonçalves é um partido consolidado no cenário municipal. Sua participação no Executivo, no Legislativo e nos mais diferentes segmentos da sociedade, fez com que a sigla se firmasse como uma das principais forças político-partidárias de Bento. É claro que a vinda de um Deputado eleito e neste ano especialmente, ocupando o cargo mais elevado do Legislativo Estadual, faz com que o partido se fortaleça ainda mais. Como disse anteriormente, chego a Bento para agregar forças e auxiliar da maneira como for possível neste processo. Mas como o ano também é de eleições municipais, sei que minha vinda, somada ao histórico do partido na cidade, auxilia para que possamos sonhar mais alto com relação ao pleito de outubro.