O tombamento da maior casa de pedras da região serrana do Rio Grande do sul, a Casa Merlin, como patrimônio histórico de Bento Gonçalves, que aconteceu na quinta-feira, 21, possibilita a viabilização de verba para a restauração arquitetônica da edificação que vai abrigar a sede do roteiro turístico, Caminhos de Pedra, e a Casa da Memória.
A casa, localizada na linha Palmeiro, no distrito de São Pedro, é de propriedade dos herdeiros de Alcides Merlin, que em setembro de 2011 autorizaram o uso, em forma de comodato por 20 anos, pela associação roteiro Caminhos de Pedra. Em contrpartida a associação se responsabilizou pelo restauro e a instalação da Casa da Memória Merlin, que tem como objetivo preservar a história e a cultura das famílias e comunidades dos Caminhos de Pedra, propiciar a visitação pública, o desenvolvimento do turismo e a preservação da cultura local.
Também em 2011, com apoio da Secretaria Municipal de Turismo e da Lei de Incentivo à Cultura do Rio Grande do Sul (LIC) foram contratados como consultores para a elaboração do projeto cultural a gestora cultural Cristina Schneider e, para elaborar o projeto arquitetônico de restauro, o arquiteto Fernando Oltramari. Agora o próximo passo a ser dadoé viabilizar a restauração da estrutura.
História
Segundo dados do inventário do Patrimônio realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Estadual (Iphan e Iphae)em 1996 a Casa de Pedra Merlin foi construída no ano de 1884, e era uma propriedade de Basílio Merlin, imigrante italiano que chegou ao Brasil em 1877, acompanhado da esposa Ângela Merlin e dos filhos Pietro e Lúcia.
A estrutura tem ao todo 400 m2 de área construída, com 43 aberturas, três pavimentos, sendo eles um porão, o primeiro pavimento e sótão.
As paredes foram feitas com pedras roliças, algumas talhadas, as estruturas de longas e grossas vigas de madeira demonstram a utilização dos materiais existentes no terreno.
O telhado apresenta estrutura em madeira e telhas tipo francesa. O porão possui pavimentação em terra (chão batido) e os demais pavimentos possuem piso em madeira em tábuas de 30cm de espessura em média.
Em meados da decada de 60 recebeu reboco que escondeu sua principal característica. Mas cerca de 20 anos depois, o então proprietário Alcidez Merlin, removeu o reboco e a casa voltou a apresentar a estrutura original, mantida até hoje.
Da Redação: Clarissa Dutra regional@jornalsemanario.com.br