No ano em que o preço da uva pode variar diretamente em virtude de sua qualidade, os produtores se mostram apreensivos quando os prejuízos causados pela chuva de granizo e, principalmente, pela estiagem. Entretanto, alguns técnicos da área vinífera estimam que a qualidade da safra de 2012 seja tão boa quanto a de 2005, que é considerada uma das melhores.
Uma das grandes preocupações dos produtores em época de La Niña é a pouca precipitação de chuva no período do verão que pode prejudicar o desenvolvimento do grão da uva. “Com a falta de chuva os grãos não têm crescido e muitos já estão amadurecendo”, explica Adair Menogoto, produtor do Vale Aurora. Outro produtor que se mostrou apreensivo quanto à qualidade da safra em virtude do período de estiagem que a região vinha passando foi Nelson Paesi, de Pinto Bandeira. “A uva não tem suco esta parada, em algumas variedades foi até 60% de crescimento do grão e parou, o que dificulta obter boa qualidade”.
Entretanto, enólogos e engenheiros agrônomos das vinícolas da região estimam colher uma ótima safra. Para Silvano Michelon, agrônomo da Vinicola Valduga, a qualidade está justamente no grão de menor tamanho. “A estiagem pode reduzir a produção porque o grão não cresce, mas o grão menor tem maior concentração de açúcar o que proporciona melhor aroma, sabor e cor. Até agora as variedades chardonnay, pinot noir, riesling itálico e prosecco estão muito boas, variando o grau entre 16 e 18”.
Sobre as variedades tardias como, merlot e tanat, o agrônomo explica que não pode afirmar que serão tão boas quanto as que estão recebendo, mas estima que a qualidade não vá diminuir. “Para as variedades colhidas mais no fim da safra o importante agora é não chover muito, porque pode diminuir o açúcar ou o grão pode abrir. Até agora a produção apresenta uniformidade na maturação e tem boa carga que vai dar qualidade para fruto”, afirma.
Outro fator que pode favorecer a qualidade da uva é a profundidade do solo. “A maioria das videiras aqui na região são de solo profundo, o que facilita a obtenção de água. Por isso elas resistem mais e mesmo com a estiagem vem apresentando uma ótima produção”, explica o agrônomo.
Preço mínimo
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Agronegócios (Mapa) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já aprovaram o reajuste de 10% ao preço mínimo da uva, definido em acordo entre vinícolas, cooperativas, produtores e seus órgãos representativos. “O ideal para os produtores seria R$ 0,65, mas firmamos um acordo que não nos prejudicasse nem as cooperativas e vinícolas”, explica Inês Betoni, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bento.
Entretanto, para essa determinação entrar em vigor ainda é preciso a aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN) que deve realizar reunião na quinta-feira, 2 de fevereiro.
Da Redação: Clarissa Dutra regional@jornalsemanario.com.br