Como justifiquei recentemente, “meu consultório é um terreno fértil para meus comentários”.
Dito isto, compartilho o momento em que fazia uma avaliação terapêutica com um casal e, durante a conversa, num dado momento, a mulher acrescentou: “isto é mais uma prova de que eu te amo”.
Surpreso, lhe dirigi o olhar e perguntei: “Há quanto tempo vocês estão casados?” E sua resposta foi: “17 anos”.
Explico: poucas pessoas, depois de 17 anos de casados ainda continuam fazendo declarações de amor deste tipo. Normalmente, com o passar do tempo, diminui também a intensidade dos sentimentos. Ou pelo menos as manifestações.
Diante de minha surpresa, argumentando de que são cada vez mais raras as comemorações de bodas de prata e especialmente de ouro, ela simplesmente riu e complementou: “Lá em casa, quando um está pra baixo, o outro vem e dá um abraço e tudo fica bem”. Como se não bastasse, ela emendou: “é tão bom ganhar um abraço!”.
Aí em realmente parei. Nem tudo está perdido, pois quando um casal jovem faz uma manifestação dessas, é porque o amor ainda está na moda.
Por favor. Não me recrimine por estar compartilhando este fato com os leitores, pois, primeiro, eu lhes disse que aproveitaria o tema para um comentário (preservando a identidade) e, segundo, porque este tipo de comentário jamais vi ser divulgado num grande periódico, nem vai dar na televisão, em cadeia nacional. Eles vão se ocupar de desgraças, não de exemplos fantásticos como este.
Pois quando nos depararmos com manifestações como esta, nos damos conta de que a vida pode ser, e é maravilhosa. Basta que tenhamos a sensibilidade necessária para valorizar cada situação que a vida nos oferece. É como ouvi recentemente: “A vida abre as portas; mas só entra quem quiser”. Isto é uma clara demonstração de que as oportunidades existem, embora poucos aproveitem.
Mas dando continuidade a minha observação, me dei conta de como homens e mulheres podem conviver pacificamente, fazer verdadeiras maravilhas, como criar e educar filhos, e neste caso, servir de exemplo para outras gerações. Isto realmente existe.
Isto posto, não seria nada demais, desafiar a que nos novos casais, namorados e ‘namoridos’, não tenham medo de demonstrarem mutuamente, o quanto se gostam, e o quanto o outro é importante para nós.
Se só isto for feito, certamente não consertaremos o mundo, mas o tornaremos bem melhor para se viver e um lugar bem mais pacífico. E pensando bem, um abraço não precisa de grande investimento. Talvez um pouco mais de coragem, determinação e humildade, afinal, se o outro é tão importante assim, vale a pena o investimento. Os resultados serão muito dividendos, em termos de felicidade.
Por Ari Vieira Marques, terapeuta holístico ortomolecular