Desde maio de 2011 o Ponto de Cultura Ângelo Chiamolera vem reunindo os moradores de Faria Lemos em volta de uma típica atividade italiana mantida pelos imigrantes. A música, em suas diferentes formas, faz parte do cotidiano dos moradores. As atividades não param mesmo no período de férias escolares e da colheita da uva.
Quando migraram para o Brasil muitos italianos trouxeram em sua bagagem inúmeros instrumentos musicais. Talvez seja por essa herança que hoje os alunos das oficinas de música apresentem um dom especial, como destaca o maestro da Fanfarra Bersaglieri, Dirceu Andrioli, ao observar três novos alunos, que no primeiro dia de aula já conseguiram reproduzir notas com o trompete, sax e tumba. “Eu não sei dizer o que os alunos de Faria Lemos têm de especial, mas eles possuem muita facilidade de aprender qualquer tipo de instrumento. É muito difícil um aluno, no primeiro dia, conseguir tirar som de um instrumento de sopro, mas aqui não observo essa dificuldade”.
Dedicação
Para manter todos os projetos em atividade é preciso bastante dedicação e apoio dos professores e alunos, o que pode ser observado na parceria entre dois dos maestros do Ponto. “Precisamos estar sempre um passo a frente, sempre buscando conhecimento”, afirmam Dirceu e Janquiel.
Dirceu começou a estudar música com oito anos, mais tarde tornou-se professor, e atualmente é acadêmico do curso de Música da Universidade de Caxias do Sul. “O pessoal me chama de maestro, professor, mas eu me vejo mais como um instrutor. Compartilho meu conhecimento com eles”.
Apesar da preferência musical pelo trompete, na universidade Dirceu teve de optar pelo piano, ao violão, como seu principal instrumento de estudo. “Escolhi o piano por ser mais didático, tem a facilidade de ver as notas nas teclas. Para estudar um instrumento é preciso muita dedicação, irremediavelmente vou ter que deixar um pouco o trompete de lado, para conseguir realizar minhas atividades profissionais e as acadêmicas”.
Sobre o projeto da Fanfarra Bersaglieri, ele conta que, o próximo passo é colocar o grupo em movimento, como as tradicionais fanfarras desse estilo.
O termo Bersaglieri surgiu para definir o grupo soldados mais ágeis que percorriam longas distâncias correndo, logo a banda que os acompanhavam também tinha que correr. “Somos a única Fanfarra Bersaglieri fora da Itália e queremos fazer tudo o mais parecido possível. Em desfiles na Itália os grupos se apresentam correndo”, explica Dirceu.
Sobre a dedicação o maestro da Orquestra de Guitarra, Janquiel Cristofoli, concorda com o colega, “É preciso muita dedicação e estudo para ser um bom instrumentista, ainda mais o violão ou guitarra que as pessoas têm como algo simples, talvez por ser mais comum e de fácil acesso, mas não é”.
Janquiel já tentou tocar bateria, toca sax, mas sua preferência mesmo é pelas cordas, que ele aprendeu a tocar há quase quinze anos. Hoje ele é apaixonado pela sua guitarra Gibson Less Poul e admira guitarristas como Joe Satriani e Eric Clapton pela técnica apresentada.
A Orquestra de Guitarra foi criada, por ele, junto com o Ponto de Cultura local, em maio de 2011. Hoje conta com seis músicos, e esta com vagas abertas para novos guitarristas. “O ideal seria termos 12 músicos. Quem tiver interesse pode nos procurar”, conclui Janquiel.
Da Redação: Clarissa Dutra regional@jornalsemanario.com.br