O ano que está chegando vai ser de apreensão para as empresas dos setores moveleiro e industrial. Isso devido à crise econômica que assola as principais potências internacionais, especialmente aquelas com sede na Europa. A intensa carga tributária e a redução no volume de negócios deve acompanhar estes dois setores por boa parte do primeiro semestre, essa é a expectativa dos analistas de mercado.
No setor moveleiro, a preocupação é com a queda no crescimento em relação ao mesmo período em 2011. Segundo a presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), Cátia Scarton, a expectativa de crescimento não deve ultrapassar os 10%, devendo ser mais lento que este ano. A Movelsul, no mês de março, segue como alternativa de impulso para o primeiro trimestre.
Na indústria metal-mecânica a situação não é diferente. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrigcas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simmme), Juarez Piva, o primeiro semestre de 2012 será de muita cautela. Ele acredita que neste período o crescimento do setor será pequeno e as empresas farão poucos investimentos. Para exemplificar, Piva destaca que a expectativa para 2011 era de obter um crescimento em torno de 12% a 13%, mas, pelo levantamento feito até agora, não chegará aos 10%.
“Está na hora da reforma tributária”
“Acredito que já passou da hora do Governo Federal promover uma reforma tributária no país. As empresas não estão aguentando está carga tão pesada de tributos. O ideal seria que um projeto a longo prazo fosse colocado em prática para que as empresas conseguissem oxigenar o seu orçamento anual. Desta forma seria possível fazer investimentos mais pesados no setor e concorrer de forma igualitária com o mercado internacional. Com esta cobrança abusiva de impostos o setor fica mais fragilizado e os empresários acabam investindo bem menos do que era esperado na compra e renovação de suas máquinas e equipamentos. O empresário brasileiro hoje faz mágica para continuar sobrevivendo e se destacando no mercado industrial”, Juarez Piva, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Bento Gonçalves.
“IPI reduzido para móveis seria bom”
“O setor moveleiro está ansioso por uma resposta do Governo Federal sobre a inclusão das indústrias de móveis na redução do IPI em seus produtos. Acreditamos que seria um impulso muito interessante para o nosso setor, principalmente no primeiro semestre, onde as expectativas não são das mais otimistas. Temos vários desafios pela frente e a Movelsul é o primeiro deles. Para a edição deste ano resolvemos segmentar a feira por setores, buscando atrair mais clientes e aumentar a comercialização de produtos. Estamos fazendo de tudo para entregar ao nosso associado subsídios suficientes que lhe permitam um crescimento sustentável ao longo do ano. 2012 também será um ano para pensarmos novidades para a Casa Brasil 2013, pois este é um evento que serve de referência para as grandes feiras”, Cátia Scarton, presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves.
“Situação é difícil, mas controlável”
“Estamos muito otimistas para o ano que está começando. Apesar de muitos setores estarem falando sobre as questões da crise econômica intrernacional, acredito que o Brasil está pronto para enfrentar esta turbulência. Adquirimos maturidade e uma boa estabilidade para atravessar o primeiro semestre com segurança e depois retomar o crescimento contínuo. Precisamos manter o pensamento positivo e a CIC está aí para identificar as necessidades de seus associados e apoiá-los em tudo o que estiver ao nosso alcance. Em relação à CIC, começaremos já em janeiro a elaborar o planejamento estratégico para os próximos 10 anos. Mas vamos focar, principalmente, nos próximos dois anos, além de fazer uma análise de como será o formato da próxima edição da ExpoBento.” Jordano Zanesco, presidente da Câmara de Indústria e Comércio de Bento Gonçalves.
Da Redação: Marcelo Maciel geral1@jornalsemanario.com.br