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15/07/2017 09:01:56

Nova regulamentação divide opiniões

Uso de substâncias que diminuem o desejo de comer havia sido restringido e, em alguns casos, proibido pela Anvisa

Ranieri Moriggi
geral3@jornalsemanario.com.br
Reprodução
Quatro inibidores de apetite, antes proibidos, foram liberados

Vigora desde o dia 23 de junho, a lei que libera a produção, comercialização e o consumo dos inibidores de apetite feitos a partir das substâncias anfepramona, femproporex e mazindol. O projeto de lei foi sancionado pelo então presidente em exercício Rodrigo Maia (DEM-RJ). O uso desses remédios para emagrecer divide opiniões entre profissionais da saúde e pacientes. Para aqueles que defendem o uso, os produtos ajudam a emagrecer em casos em que a obesidade não pode ser combatida só com dieta e exercícios. Mas quem é contra a venda afirma que as substâncias podem fazer mais mal do que bem, porque, além de não terem evidências de que auxiliam na perda de peso, elas podem causar efeitos colaterais como arritmia cardíaca, transtornos psiquiátricos, irritabilidade e insônia.

Segundo a Esteticista Patrícia Silveira, habilitada no método de emagrecimento 5s, a volta da venda dos inibidores não deve resolver o problema e nem aumentar as possibilidades de tratamento. "A pessoa que está acima do peso precisa compreender todas as variantes envolvidas na obesidade. É isto que faz uma bagunça metabólica no organismo gerando uma inflamação no hipotálamo, parte pequena do cérebro onde uma das funções é a saciedade a qual recebe um comando de um hormônio chamado leptina, que quando você come logo se sente saciado, estamos comendo o que não alimenta, não nutre nosso corpo e sim causa uma inflamação. Acho desnecessário o uso de inibidores", afirma.

Avaliar a necessidade

De acordo com Patrícia, os medicamentos auxiliam por um curto período e a probabilidade de voltar a engordar é muito grande. "O inibidor de apetite não irá tratar a causa e sim apenas mascarar o real problema", salienta.

Utilizar algum tipo medicamento inibidor de apetite deve partir de um acompanhamento com profissional capacitado. É o que recomenda a nutricionista Flávia Piccoli Gheno. Para ela, emagrecer com muita rapidez pode ser arriscado. "Nos dias de hoje, todo mundo deseja a "fórmula mágica" para chegar ao peso e corpo ideal e, em alguns casos, muitas aderem a esses medicamentos, o que na minha concepção é errado. Mudar os hábitos alimentares e inserir uma rotina de exercícios físicos, com certeza garantirá melhor qualidade de vida", afirma.

Flávia salienta que em alguns casos, onde o uso dos inibidores faz-se necessário, uma equipe multidisciplinar deve monitorar a evolução do quadro. "Tudo depende do diagnóstico apresentado pelo paciente. Porém, é bom salientar que para pessoas que possuem uma vida saudável e que desejam aumentar o metabolismo, não há necessidade. É prejudicial, com danos físicos e psicológicos", enfatiza.

Resultados rápidos

Por outro lado, as pessoas que fazem uso da medicação afirmam que os inibidores auxiliam na redução de peso e também na diminuição da ansiedade. É o caso de P.Z, 34, que começou a fazer uso da medicação há cerca de 10 anos. O desejo de emagrecimento rápido foi o principal fator pela busca dos inibidores. "Somente com cuidados na alimentação, os resultados não apareciam", afirma. Ela garante que além da perda de peso, os inibidores lhe proporcionam sensação de saciedade e diminuíram a ansiedade. Questionada sobre os efeitos colaterais, diz que sofre apenas de insônia quando faz uso da medicação. Ela afirma já ter tentado parar, porém, sem êxito. "Por diversas vezes tentei deixar de utilizar, mas não consegui. Hoje, utilizo somente quando sinto necessidade", garante.

Mesmo com venda proibida desde 2011, P.Z, garante que comprava o produto sem receituário médico. "Conseguia adquirí-lo fora do país. Pessoas que viajavam para outros países onde a comercialização era liberada traziam para mim", lembra.

Entidades emitem nota

A lei sancionada, no entanto, gerou reações de associações médicas e do Conselho Federal de Medicina (CFM). Em nota, a presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, Maria Edna de Mello afirmou que mesmo não sendo o melhor caminho, o projeto de lei amplia o auxílio ao tratamento. “A liberação via projeto de lei não é o melhor caminho. Mas se for o único caminho que temos para ampliar as opções de tratamento da obesidade, é bem-vindo”, afirma.

 

Já para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, a liberação feita por lei, sem embasamento médico não é a solução. “Não concordamos com a liberação de medicamentos feita por lei. Pode ser que, posteriormente, se descubra que esses remédios possam oferecer algum risco ou perigo a quem os consumir. O papel do Congresso é outro: cobrar da Agência eficiência, transparência e acompanhar seus processos. Mas não substituir as funções da Anvisa”, ressalta o diretor-presidente, Jarbas Barbosa.

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