Colunistas

Revolução dos acentos

Jornal Semanário - Edição 2926 - 18/05/2013

18/05/2013 09:05:02

Por: Denise Da Ré

Manhã festiva de domingo. Foguetes avisam que o churrasco está na brasa, e o badalar dos sinos, que o padre está pronto para a celebração. O coroinha toca a sineta manual para acordar os apreciadores de “água benta”, que fazem corpo mole na bodega, envolvidos na fumaça dos próprios cigarros (vícios dificilmente andam sozinhos).

A missa tem início. A maioria das pessoas participa dos ritos, cantando, respondendo, levantando, ajoelhando, sentando, até que o novo ajudante do sacerdote apanha o microfone para anunciar:

-E agora vamos ouvir a leitura da “e...pistola” de São Paulo aos coríntios.

Gargalhada geral. As bochechas vermelhas do padre mostram seu constrangimento. Do alto do púlpito, ele tenta acalmar o rebanho alvoroçado. O já ex-ministro sai do templo resmungando entredentes:

-Não tenho culpa se escreveram palavrão na Bíblia, seus merda!


* * *

Esse fato, ocorrido recentemente no interior de... de algum município da serra, me reportou aos anos setenta. Eu passava em frente ao Cine Aliança quando parei para ver o anúncio do filme “Isto é Pele” [Péle]. Pensei tratar-se de documentário de Biologia – uma dissecação das camadas cutâneas – ou, talvez, de psicologia – algo do tipo nervos à flor da pele. Até me passou pela cabeça que pudesse ser um romance bem tórrido, coisa de pele e paixão... Só tempos depois descobri que se tratava da vida de Edson Arantes de Nascimento, o Pelé (com acento).

Tudo bem! Fui lenta mesmo. Mas a questão dos acentos ou da falta deles pode causar duplas interpretações e boas risadas, assim como a falta do trema, exterminado pelo acordo “bilateral” de 2009, cumprido só pelo Brasil. O problema é quando o exagero dos linguistas de plantão ultrapassam as fronteiras do bom senso. É o caso desta historinha que li em algum lugar, ocorrida há algum tempo, em alguma pequena cidade do Brasil. É mais ou menos assim:

De passagem pela vila e precisando de um terno novo, um respeitável cidadão entrou numa alfaiataria em cuja placa estava escrito “Aguia de Ouro” (sem acento). Indignado com o erro gramatical, o letrado disse:

-Indicaram-me sua alfaiataria como a melhor das redondezas. Mas como posso confiar em seu trabalho se o senhor não escreve certo nem o nome do próprio negócio?

O homem olhou-o com estranheza. Então o visitante explicou:

-O senhor não colocou o acento em águia. O correto é “Alfaiataria Águia de Ouro”.

Aí o alfaiate respondeu:

- Não, “dotor”! É “Aguia [agúia] de Ouro”. (Agulha de Ouro)

 

COMPARTILHAR

Comentários

11/05/2013 10:05:36

Invisibilidade Por Denise da Ré

16/03/2013 08:03:07

De perfeição Por Denise da Ré

23/02/2013 09:02:34

Superstições Por Denise da Ré

26/01/2013 09:01:38

“Déjà Vu” Por Denise da Ré

21/01/2013 09:01:38

Questão de DNA Por Denise da Ré

02/01/2013 11:01:03

Olheiros Por Denise da Ré

10/11/2012 09:11:23

Salve Jorge Por Denise da Ré

03/09/2012 09:04:00

Rir é o melhor remédio - III

27/08/2012 10:08:57

Pelas Trilhas do Passado

22/08/2012 16:08:00

Hollywood X Realidade

13/08/2012 10:08:10

Denise Da Ré

21/07/2012 07:07:43

Denise da Ré

03/07/2012 14:02:00

Denise Da Ré
© 2013 - JORNAL SEMANÁRIO - SISTEMA S DE COMUNICAÇÕES
Sede
Wolsir A. Antonini, 451 - Bairro Fenavinho
Caixa Postal 126 - 95700.000 - Bento Gonçalves - RS

Escritório Central
Mal. Deodoro, Centro, 101 - Galeria Central - Sala 501

(54)3455.4500