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26/09/2015 07:00:00

A criação do Sindibento contada pelo seu primeiro presidente, Paulo Vicente Caleffi

Em entrevista conta em detalhes como surgiu uma das mais importantes entidades do setor de transporte do Rio Grande do Sul

Da redação
redacao@jornalsemanario.com.br
Caiani Martins
A história do Sindibento começa com a determinação do empresário Paulo Vicente Caleffi

A história do Sindibento começa com a determinação do empresário Paulo Vicente Caleffi, que em entrevista conta em detalhes como surgiu uma das mais importantes entidades do setor de transporte do Rio Grande do Sul, o Sindibento.

Caleffi inicia contando que, há 30 anos, nas reuniões do SETCERGS (Sindicato de transportes de cargas e logística do Rio Grande do Sul), presidido por Gastão Prudente, tomou-se conhecimento da intenção de fundar uma federação das empresas de transportes de carga, congregando os Estados da Região Sul. Na época, o Rio Grande do Sul tinha apenas dois sindicatos: Caxias do Sul, o mais antigo, e o SETCERGS, em Porto Alegre. O estado vizinho, Santa Catarina, contava com cinco sindicatos e sozinho decidiu criar sua federação, a FETRANCESC. Assim sendo, o Rio Grande do Sul poderia optar por ser base da FETRANCESC ou criar outros sindicatos e fazer sua própria federação. A segunda opção prevaleceu.

De acordo com o empresário, Paulo Caleffi, a Associação Nacional das Empresas de Transportes de Carga, (NTC) queria se tornar independente da Confederação Nacional da Indústria, em termos de serviço ‘S', ou seja, criar uma entidade separada do Sesi e do Senai, especificamente para o setor de transporte. "Para isso seria necessário uma Lei Federal que criasse a Confederação Nacional dos Transportes. No entanto, para criar essa confederação, seriam necessárias federações, então o Rio Grande do Sul, inicialmente pretendeu se unir a Santa Catarina para formar uma federação das empresas de transporte de carga, mas o estado vizinho, na ocasião tinha oito sindicatos, dois do Rio Grande do Sul, de forma que o comando dessa federação ficaria a cargo deles.", lembra Caleffi.

Disposto a ficar no comando, foi decidido, então, criar aqui no estado uma federação própria, porém, para isso ser possível era preciso de no mínimo cinco sindicatos no Rio Grande do Sul. "Nós propusemos criar mais três sindicatos, um em Pelotas, um em Santa Maria e um em Bento Gonçalves, cujo processo estaria, eu, liderando. Aqui em Bento Gonçalves juntamos forças com os empresários de cargas e passageiros, na pessoa do Gilberto Antônio Faccio. Na boate do SUSFA, gentilmente emprestada pelo Dorigon e com a presença do Promotor Público Dr. Daltro de Abreu, fundamos uma associação de transportadores almejando um futuro sindicado", explica.

Com a criação de novos sindicatos se reduziria a arrecadação do SETCERGS, mas para a NTC que lutava para criar a CNT - Confederação Nacional de Transportes, desvinculando-se da CNI - Confederação Nacional das Indústrias, era necessário ter um mínimo de cinco federações para pleitear a Lei de criação de uma nova confederação.

Thiers Factori Costa, que tinha vínculos familiares em Bento Gonçalves, presidia a NTC e, juntamente com Adalberto Pansan, presidente do SETCESP, incentivaram, nos bastidores, a criação de novos sindicatos no Rio Grande do Sul. "Quando o assunto foi para votação, na NTC nós tivemos uma oposição do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do RS que tinha abrangência territorial de quase todo o estado e essa oposição foi apresentada pelo presidente e nós tínhamos que ter aprovação dele para a criação do Sindibento", conta.

Para contornar essa situação negativa, um fato curioso e divertido, ao mesmo tempo, ajudou no processo de criação do Sindibento. "A NTC era presidia por Thiers Fattori Costa, e o Setcergs por Gastão Prudente. Numa reunião do CONET/INTERSINDICAL realizada num hotel cinco estrelas em São Paulo, luxo ao qual o TRC da época até se dava, o pleito do Sindibento seria votado pelo plenário. Gastão Prudente já se havia manifestado contrário. Porém, Thiers, muito ágil e com presença de espírito, observava que Gastão aproveitava as primeiras horas da manhã para seu banho de piscina. Na primeira hora da manhã, ao abrir a reunião da INTERSINDICAL, submeteu ao plenário a votação e o Sindibento foi aprovado por unanimidade. Quando Gastão retornou aos trabalhos, só restou aceitar", recorda Caleffi.

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